Cachorros comendo ração

Quando alguém decide criar um animal de estimação, logo surgem muitas dúvidas em relação às atividades diárias, aos custos, adestração, alimentação e outras preocupações comuns a todos os tutores inexperientes.

Além das questões citadas acima, outra que requer muita atenção é a alimentação, pois assim como os humanos, os cães também precisam ingerir os nutrientes necessários para um bom funcionamento do organismo.

Também deve ser levado em consideração o gosto do animal, pois não adianta optar por uma alimentação que não seja bem aceita por ele. Por isso, é importante ficar por dentro de todas as alternativas que podem ser oferecidas ao cãozinho, para que você possa sempre escolher a melhor opção, visando a saúde do seu pet.

Mas antes de falar quais são as melhores opções que o mercado oferece atualmente, vamos contar um pouco sobre como era a alimentação dos cães antigamente.

História da alimentação dos cães

A alimentação dos cães pouco variou durante toda a história, pois a ração comercializada para animais começou a ser desenvolvida por volta de 1781. Até essa data, os cachorros (mais parecidos com lobos selvagens) se aproveitavam dos restos deixados pelos animais.

Mas a dieta sofria algumas alterações de acordo com a época do ano. Durante o inverno, por exemplo, eles recebiam alimento mais gordurosos, inclusive queijos. Já no verão, havia mais fartura, com a ingestão de frutas, carnes variadas, pão e legumes.

Foi através dessa parceria entre os humanos e animais, que os cães começaram a ser domesticados. Enquanto eles se aproveitavam dos restos, os grupos itinerantes utilizavam da força dos bichos para afastar possíveis ameaças, caçar, ou até mesmo fazer companhia.

Por volta de 1800, a ração começou a ser melhorada, pois, antes disso, a mistura oferecida para os cães carecia de nutrientes e alimentos específicos para uma dieta adequada. O responsável por isso foi James Spratt, um eletricista americano que vivia próximo a um estaleiro de Londres e percebeu que os cães da região se alimentavam de migalhas deixadas por pessoas.

Ao longo dos anos, a indústria de alimentos para animais apresentou crescimento e se transformou bastante. A ração seca, como conhecemos hoje, começou a ser produzida em 1930. Entretanto, nos últimos anos, vários estudos revelaram que esse alimento possui muitos ingredientes nocivos à saúde animal, evidenciando o debate em relação à dieta dos cães e aos problemas causados pela ingestão desse tipo de alimento.

Inclusive, indicamos o documentário “Pet Fooled”, disponível na Netflix, que aborda esse tema de grande importância para a saúde dos cães. O material levanta questões polêmicas sobre o processo de produção das indústrias e a qualidade duvidosa dos ingredientes utilizados.

Mas afinal, o que deve ser oferecido para os animais para que eles cresçam saudáveis? Muitas são as opções e vamos abordá-las a seguir, então continue lendo e veja as que melhor satisfazem as necessidades do seu pet.

Ração x Alimentação natural

Existem dois tipos de alimentos que podem ser oferecidos, e a partir deles outras tantas variações: ração ou alimentos naturais. Antes de contar as características de cada um, as vantagens, desvantagens e outros tantos fatores que podem influenciar sua escolha, é fundamental salientar que o veterinário é o melhor profissional que pode ajudar o tutor nesse momento.

Cachorro com cara de pidão

Fonte: Burst / Pexels

Ração

Já falamos um pouco sobre a evolução da ração e a importância dela para a alimentação dos cães. Agora é a hora de dizer quais os benefícios dela, os pontos negativos, as variedades e qual a melhor opção para cada tipo de animal.

Há dois tipos de ração: a seca e a úmida. Ambas são industrializadas e possuem algumas questões que podem fazer o tutor ter dúvidas sobre qual seria a melhor opção para o seu bichinho.

Vamos começar falando sobre a ração seca, pois ela é a mais vendida nos centro comerciais e a mais conhecida também.

Ração seca

Se você já andou em supermercados ou entrou em pet shops já deve ter se deparado com sacos gigantes de ração. A variedade de cores, indicações, sabores e marcas é impressionante. Isso se dá, além de outros fatores, devido ao crescimento da indústria de alimentos para cães nos últimos anos. E vale salientar: o Brasil é um dos principais mercados de todo o mundo.

Basicamente, há três tipos principais de rações secas: standard, premium e super premium. O que caracteriza e diferencia uma das outras é a qualidade dos ingredientes utilizados e o valor nutricional, que muda em decorrência do que é aplicado no processo de fabricação.

A ração standard é a mais barata de todas, pois as empresas utilizam partes menos nobres dos animais e dos demais ingredientes, como cereais e gorduras. Isso interfere diretamente na saúde do animal, como textura e brilho dos pelos, da unha, disposição, funcionamento do organismo, odor, consistência das fezes, e até mesmo na palatabilidade do alimento.

Embora isso dê a entender que esse tipo de ração não é ideal, saiba que ela é nutricionalmente completa. Por isso, ela se torna uma vantagem para quem não possui muito recurso financeiro para investir em rações de qualidade superior.

Um nível acima da standard está a ração premium, que é composta por ingredientes de melhor aproveitamento biológico, de fontes mais confiáveis e que metabolizam melhor no organismo do animal. Por outro lado, ela é um pouco mais cara que a standard, mas com certeza se torna uma alternativa melhor para quem pode oferecer esse alimento para o seu cão.

Por fim, existe a opção da ração super premium, que é a melhor de todas, embora seja a mais cara. Ela se torna menos acessível para muitas pessoas, mas é notória a diferença que ela causa no animal. Ele acaba ficando com mais disposição, pelos e unhas mais firmes. Além disso, a quantidade de fezes é muito menor se comparado aos dias em que o animal se alimenta com outras rações. As carnes utilizadas na produção são mais nobres (ovelha, pato, frango, peru), além de óleos, cereais e gorduras de alto valor nutricional.

Há muitas vantagens em oferecer uma ração seca para o animal, principalmente por ela ser mais fácil de ser encontrada e mais barata que a úmida ou a alimentação natural. Além disso, ela duram mais tempo e podem ser armazenadas com mais facilidade, tornando-se bastante cômodo para o tutor. Também é possível escolher o produto ideal de acordo com a faixa etária do animal (filhote, adulto, idoso) ou características específicas (alérgicos, obesos, problemas estomacais).

A desvantagem é a mesma da ração úmida: qualidade nutricional. É incomparável a superioridade dos alimentos naturais, mas o preço final é determinante para que as pessoas optem pelos industrializados.

Ração úmida

Como falamos anteriormente, não há muita variedade entre a ração úmida e seca em questões nutricionais. A maior diferença está na palatabilidade e umidade do alimento, embora uma esteja diretamente relacionada com a outra.

Por conter mais água, a ração úmida se torna mais macia para o animal, ficando mais agradável para ele mastigar e digerir o produto. Isso também permite que as empresas deixem o alimento com maior variação de sabores (frango, carne, peru, defumado, entre outros) o que anima bastante os bichinhos na hora em que consomem o alimento.

A vantagem da ração úmida é exatamente essa: mais atraente para os animais. Ela é melhor de ser ingerida, é mais fácil de ser digerida, é mais cheirosa e ideal para cães que vivem em regiões mais quentes ou que bebem pouca água.

Entretanto, há algumas desvantagens que fazem as pessoas não comprarem ou optarem por adquirir uma quantidade menor da ração úmida. A primeira é o seu preço, sendo equiparada até mesmo à ração super premium. O seu valor calórico também pode ser considerado um ponto negativo, já que alguns cães têm facilidade em apresentar sobrepeso. Além disso, por ser úmida, ela deve ficar sob refrigeração após aberta.

Alimentação natural

Atualmente há um grande debate acerca da alimentação natural, embora alguns especialistas afirmem que essa é a melhor alternativa para a saúde do animal. Veterinários mais tradicionais ainda indicam a ração tradicional, pois acreditam que não há muitos estudos relacionados à alimentação natural.

Entretanto, estudiosos, especialistas e veterinários focados na alimentação dos cães revelam que essas pesquisas demoram muito tempo para mostrar os resultados, além de demandarem muito dinheiro, o que dificulta a sua realização.

Para quem não conhece a alimentação natural, ela é simples de ser explicada: é a oferta de ingredientes naturais, comuns a nós humanos, respeitando as exigências do cão, tendo em vista o que não é e o que não é permitido oferecer a ele.

Antes de falarmos como pode ser feita a alimentação natural, é importante mostrar o que não é alimentação natural. Muitas pessoas acham que utilizam esse método ao oferecer a mesma comida da mesa ou então os restos de alimentos. Mas isso NÃO É alimentação natural.

É preciso entender que deve haver um balanceamento de nutrientes que satisfaça as exigências da raça, do porte, da idade e qualquer problema que o animal tenha. Se isso não for feito, as consequências (negativas) serão grandes. Além disso, misturar a ração seca com alguns alimentos naturais (frango, arroz, cenoura) também não está correto. Ou o tutor oferece um tipo, ou outro.

Assim como a ração seca, que há três subtipos (standard, premium e super premium), a alimentação natural também tem suas diferenciações. Veja abaixo quais são.

Cachorro comendo frutas

Fonte: Rarnie McCudden / Pexels

Alimentação natural crua com ossos e sem ossos

Essa é a classificação que mais intriga as pessoas, pois muitas não acreditam que seja saudável oferecer alimentos crus e muito menos ossos aos cães. Entretanto, saiba que isso é possível sim, além de fazer muito bem ao animal.

Antes de iniciar a alimentação natural crua com ossos ou sem ossos, é preciso fazer exames no cão para saber como está a saúde do seu trato intestinal, do seu organismo e demais fatores que podem ser influenciados pela nova dieta.

Caso o cachorro apresente algum problema, como diabetes, pancreatite, gastrite ou qualquer outra limitação, opte por uma alternativa mais adequada a ele. Se o animal estiver bem, consulte um veterinário especializado em dieta animal e peça a prescrição da nova dieta. Após isso, vai ser possível fazer a produção caseira desse alimento, ou então encomendar em alguma empresa com foco nesse mercado.

As vantagens da alimentação natural crua com ossos e sem ossos são muitas, principalmente em relação aos valores nutricionais. Além disso, a carga glicêmica é menor e ela é muito mais saborosa, fazendo o animal, inclusive, produzir menos fezes. Também é nítido perceber diferenças físicas no pet, já que ele fica com mais energia e pelos bem mais brilhantes. Comparada às rações secas, a alimentação natural é, indiscutivelmente, a melhor.

Se o tutor não preparar o alimento na própria residência, o custo vai ser maior que os da ração seca. Normalmente, o valor vai ser equiparado ao da ração premium, mas a qualidade não se compara.

Além disso, vai ser preciso muita organização, disposição, suporte veterinário, comprometimento (não pode voltar atrás depois de oferecer ração seca). O tutor vai precisar preparar dietas separadas de acordo com os animais que tiver em casa, além de dedicar espaço na geladeira. A alimentação para eles vai se tornar muito mais prazerosa, logo, é provável que o custo mensal aumente um pouco mais.

Alimentação natural cozida

Diferentemente da alimentação crua, na qual há a possibilidade de se adicionar ossos à dieta do animal, na cozida isso não é permitido. Isso ocorre porque, ao cozer, o osso adquire uma consistência perigosa ao cão, podendo machucá-lo ao ser engolido.

Por ser mais confiável que a crua, a alimentação natural cozida é a mais procurada pelas pessoas que decidem oferecer esse produto ao animal. Mas assim como a ração seca ou úmida e alimentação crua, é preciso um acompanhamento veterinário para fazer os exames e a prescrição da dieta a ser seguida.

Da mesma forma que a alimentação crua tem suas restrições e recomendações, a cozida não deve ser oferecida caso o animal apresente algum problema de saúde que limite a sua dieta. Por isso a importância de um acompanhamento veterinário especializado, pois ele vai dizer quais ingredientes o pet deve consumir, qual a quantidade, com que frequência, além de muitas outras informações necessárias para a criação do cardápio e manutenção de uma vida mais saudável para o cão.

Alimentos proibidos e permitidos

Muitas pessoas não conseguem resistir ao cão quando ele faz aquela cara de pidão, principalmente quando eles estão afim de uma comidinha. Mas é preciso ter muito cuidado ao que é oferecido a eles, pois alguns alimentos podem ser extremamente nocivos à saúde.

Por isso, aqui vai uma lista dos principais alimentos que são proibidos para cães: abacate, álcool, café, chá, cafeína, uva, leite e derivados, açúcar, chocolate, ossos cozidos, caquis, pêssegos e ameixas.

Mas há também os que, vez ou outra, podem ser consumidos como forma de agradar o cão, ou até mesmo para complementar a sua dieta. Mas lembre-se que isso não deve ser feito com frequência, por isso é tão importante o auxílio nutricional.

Entre os alimentos que podem fazer a alegria do seu pet estão: maçã (sem sementes), cenoura, bananas (congeladas são ótimas para épocas quentes), beterraba, abobrinha cozida, batata doce cozida, melancia (sem sementes) e água de coco.

Cachorro querendo comer biscoito

Fonte: Freestocks

Considerações finais

Para escolher o melhor tipo de alimento para cães é preciso levar em consideração diversos fatores, como as necessidades do animal, rotina do tutor, custo, valor nutricional, entre outros.

É importante salientar que não é indicado ficar mudando de um alimento para outro, pois isso pode fazer mal ao animal, apesar de parecer interessante para ele a princípio. Além disso, começar a oferecer alimentação natural é quase um caminho sem volta. Caso o tutor opte por voltar à ração tradicional, há grandes chances do cão rejeitar o produto.

Por isso, a pessoa deve analisar o que ela pode fazer pelo animal, conversar bastante com o veterinário e perceber os gostos do cão, afinal, ele é quem vai sentir a diferença em seu organismo através da alimentação que lhe será oferecida.